Afonso de O. Castro
16º Presidente
1919 à 1922

Afonso de Oliveira Castro, mais conhecido por Afonso Megda, nasceu em Varginha no dia 15 de julho de 1887. Farmacêutico pela tradicional Escola de Ouro Preto, era filho do Coronel João de Oliveira Castro (mais conhecido como João Megda), 'comprador de café' como eram conhecidos os que negociavam na compra e venda desse produto, e que em 1914 construiu o grande prédio ainda existente na frente da Estação de Ferro e no qual se estabeleceu com o "Grande Hotel Megda", que, diga-se de passagem, deveria ter sido o melhor da região.

Depois de um acordo entre as duas facções políticas locais, que já anos vinham empenhadas em querelas e chicanas que não deixaram o Município progredir, juntamente com elementos dos mais destacados da nossa sociedade, como o Cel. Joaquim da Silva Bittencourt, Cel. José Marcelino Teixeira de Resende, Major Antônio de Souza de Oliveira, Cav. Roque Rotundo, José Francisco de Oliveira, Capitão João Batista Braga e Cel. Domingos Ribeiro de Resende (este último vereador "especial" pelo distrito de Carmo da Cachoeira), Afonso de Oliveira Castro foi eleito Vereador à Câmara Municipal e escolhido por seus pares, por unanimidade de votos, o Chefe do Executivo.

A eleição para a Câmara era feita dia 1o de novembro, sendo a posse dos eleitos efetuada em 1o de janeiro do ano seguinte. Afonso de Oliveira Castro teve como seu vice-presidente o Sr. João Batista Braga, comerciante mais tarde sendo escrivão do 2o Oficio, cidadão presente e que muito serviu ao nosso povo e a nossa terra.

A gestão do novo Presidente (Afonso de Oliveira Castro) foi profícua, embora marcada por duas das maiores tragédias que abateram sobre o páis - a gripe Espanhola em 1918 e a terrível geada do dia 24 de junho de 1916. A primeira ceifou milhares de vidas de Varginhenses e também de brasileiros, sendo sua mais ilustre vítima o Presidente da República de então Dr. Rodrigues Alves. A geada que atingiu todo Sul de Minas, castigou de maneira severa a lavoura do município, salvando-se apenas alguns cafezais situados em terrenos elevados, o que trouxe muita apreensão. Felizmente o preço do café, que estivera durante quatro anos retido nos armazéns devido a grande guerra, teve uma repentina alta de preços não esperada, tirando muitos agricultores das difíceis condições que os levaram a geada.

Com a exígua renda bruta da Comarca (prefeitura) que não ia além de 92.000$000 (noventa e dois contos de reis) ou apenas Cr$ 92.00 (noventa e dois cruzeiros), pode-se calcular os esforços necessários para se governar uma cidade de pardieiros como era a Varginha de então, cheia de problemas e de necessidades. Apesar de tudo, Afonso de Oliveira Castro no curto espaço de 3 anos, remodelou ruas, tirando-lhe o calçamento de pedras brutas, adotando em muitas delas o sistema de abaulamento com sarjetas e meios-fios; construiu o passeio à mosaicos (ladrilhos). Elaborou e fez aprovar lei obrigando a reforma de muros, na época, em sua grande maioria feitos de adores que a chuva destruía, ficando à mostra hortas mal tratadas. A lei obrigava que os muros tivessem cobertura de tijolos ao invés das negras telhas coloniais sobre as quais chegavam a nascer e crescer até algumas plantas arbustivas e que fossem caiados e uniformes; cuidou de pontes e caminhos rurais, a fim de facilitar o escoamento de nossa produção agrícola; lutou contra o escoamento das águas servidas pelas ruas, estabelecendo multas aos proprietários recalcitrantes; empenho-se de todas as maneiras para manter a cidade limpa, devidamente capinadas, mandando prender no "Curral do Conselho" e só soltar mediante multa, aquele mundão de animais: - Vacas, Cavalos, Burros e até Porcos, - que à noite eram soltos nas ruas por seus donos a fim de aproveitamento do capim e ervas que nelas abundavam, não obstante os esforços dos "capinadores de ruas".

Na época existia em Varginha cerca de 400 prédios, mais de 1.800 outras habitações, em sua maioria pardieiros contras os quais de então faziam carreira campanha. "O Momento" em uma de suas edições dizia: "é uma vergonha o estado lastimável em que se encontra a nossa cidade em questão de higiene. As ruas principais não dão o mais infinito sinal de asseio, e por isso estão transformadas em verdadeiras pocilgas; isto devido as águas que vomitam em bueiros de quintais, depois de utilizadas pelos particulares, seduzidos pela influência do meio e esquecidos de que a falta de asseio e de higiene não só diz mal do característico de seus costumes, como também põem em flagrantes perigo a saúde dos que vivem sob esses tetos malsinados a respiram esse ar infecto e insuportável".

A renda da estação de estrada de Ferro em Varginha era uma das mais altas da rede: - 3.000$000 (três contos de reis) diários, Cr$ 3,00 (três cruzeiros). Havia 5 farmácias, 4 médicos, 120 negócios e vendas de atacado e varejo, 10 salões de barbeiro, 6 alfaiates,12 hotéis e 3 pensões. Havia ainda 3 oficinas de sapateiros, 2 seleiras, 6 cirurgiões dentistas, 3 açougues, 2 relojoarias, 1 ourivesaria, 2 grandes depósitos de mobilia, magníficos bares, 1 cinema, 2 salões de bilhar, 2 marmorarias (Xisto Pelini e Vicente Desio), 1 atelier de fotografias, 2 tipografias e 2 papelarias e vários "ateliers" de costura, entre os quais os de Dona Fenina, Dona Hortensinha e Dona Cocota Batista. Existia ainda uma excelente orquestra (Zequinha Fonseca), duas bandas de música (Maestro Marcílio Braga - Banda Santa Cruz e José Augusto de Lima - Banda Santa Cecília). Fábrica de telhas francesas do Sr. Gustavo Hartman & Cia.

Afonso de Oliveira Castro faleceu no dia 19/04/1968 e foi o 18o Presidente da Câmara de Varginha. Em seu governo foi aberto o novo cemitério e o carnaval com belíssimos carros alegóricos punhados a boi, era organizado pelo Italiano José Navarra e tinha auxílio da Prefeitura.

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